Blog de Sérgio Braz, Agente Oficial de Propriedade Industrial. Autor e consultor em Propriedade Intelectual.
Saturday, April 25, 2026
A PROPRIEDADE INTELECTUAL E O DESPORTO
Friday, April 24, 2026
#TBT JURÍDICO – PROTEGENDO OS PRODUTOS LOCAIS COM INDICAÇÕES GEOGRÁFICAS (IG)
Em 2022 escrevi
sobre o papel das indicações geográficas (IGs) na valorização dos produtos
locais. Hoje, revisitar este tema mostra como a protecção por IG continua a ser
uma ferramenta poderosa para pequenas e médias empresas (PMEs) que desejam
destacar a qualidade e a reputação dos seus produtos em mercados competitivos.
As indicações
geográficas (IGs) são direitos de propriedade intelectual que identificam
produtos originários de uma determinada área geográfica, cuja qualidade ou
reputação está directamente ligada à sua origem.
As IGs fazem com
que as PMEs:
- Melhorem a reputação dos seus produtos – ao reforçar a qualidade e o valor dos bens locais, apoiando negócios regionais. Produtos com IG podem ser vendidos a preços mais elevados, em média mais do que o dobro de produtos comparáveis sem rótulo IG.
- Construam a confiança do consumidor – ao fornecer informações claras sobre origem e métodos de produção. O rótulo IG funciona como uma garantia de autenticidade e qualidade, aumentando a credibilidade junto aos consumidores.
- Impeçam usos fraudulentos de direitos de PI – ao proteger contra apropriação indevida e concorrência desleal. Apenas produtores da região que cumprem os padrões certificados podem usar a IG, garantindo exclusividade e protecção legal.
As IGs continuam a ser uma estratégia essencial para valorizar produtos locais e fortalecer economias regionais. Para as PMEs, investir em IGs é investir em reputação, confiança e protecção.
Thursday, April 23, 2026
#TBT JURÍDICO – CINCO MANEIRAS PELAS QUAIS OS DIREITOS DE MARCA REGISTADA BENEFICIAM STARTUPS E PMES
Em 2022 escrevi sobre os benefícios da protecção de marca para startups e pequenas e médias empresas. Passados alguns anos, constato que este conteúdo continua actual e essencial para quem empreende em mercados competitivos. Revisitar este tema é um verdadeiro retorno que mostra como a marca pode ser um activo estratégico de longo prazo.
A protecção da
marca por meio do registo oferece os seguintes benefícios:
- Direitos exclusivos – o registo garante ao titular o direito de impedir terceiros de comercializar produtos ou serviços idênticos ou semelhantes que possam causar confusão.
- Aplicação (Enforcement) – marcas registadas são mais fáceis de aplicar, pois carregam presunção de propriedade. Em alguns países, autoridades alfandegárias podem inspecionar e apreender mercadorias falsificadas.
- Activo comercial duradouro – uma marca registada pode durar indefinidamente, desde que seja usada e renovada.
- Venda ou licenciamento – marcas registadas podem ser vendidas ou licenciadas, gerando novas fontes de receita.
- Valor financeiro – uma marca registada pode servir como garantia para obtenção de financiamento junto a instituições financeiras.
Fonte: WIPO
Hoje, mais do
que nunca, startups e PMEs precisam pensar na marca como activo estratégico.
Qual desses benefícios você já aproveitou ou gostaria de explorar no seu
negócio?
Friday, April 10, 2026
MOÇAMBIQUE ADERE AO SISTEMA DE HAIA PARA REGISTO INTERNACIONAL DE DESENHOS INDUSTRIAIS
O Governo aprovou
no passado dia 24 de Março de 2026 a
adesão de Moçambique ao Sistema de Haia,
um marco importante para a protecção internacional dos desenhos industriais e para o fortalecimento da competitividade
económica do país.
O que significa esta adesão?
Com esta decisão,
Moçambique passa a integrar um sistema internacional que permite aos criadores
proteger os seus desenhos industriais em vários países através de um único pedido. Isso representa redução
de custos de registo internacional, simplificação de formalidades e procedimentos administrativos e maior
segurança jurídica contra cópias e uso indevido no exterior
Instrumentos incluídos
A adesão abrange
três tratados administrados pela Organização Mundial da Propriedade
Intelectual (OMPI), a saber:
- Acto de Genebra (1999) – versão
mais moderna do Sistema de Haia, que amplia as possibilidades de protecção
internacional.
- Acordo de Locarno –
estabelece uma classificação padronizada para facilitar registos,
pesquisas e exames de desenhos industriais a nível global.
- Tratado de Riade – introduz
normas comuns que harmonizam procedimentos administrativos entre os
Estados, tornando o sistema mais previsível e eficiente.
Impacto para empresas e criadores
Segundo o
Governo, esta medida é estratégica para a inserção das empresas moçambicanas —
especialmente as pequenas e médias
empresas (PMEs) — nos mercados internacionais. Entre os principais
benefícios destacam-se o acesso
facilitado a novos mercados, o reforço da protecção jurídica das criações
nacionais, a modernização do sistema nacional de propriedade industrial no que
diz respeito aos processos de registo e gestão de direitos e o fortalecimento das capacidades
institucionais
Um passo para o futuro
A adesão ao
Sistema de Haia demonstra o compromisso de Moçambique com a inovação, criatividade e desenvolvimento
económico sustentável. Ao alinhar-se com padrões internacionais, o país
posiciona-se de forma mais competitiva no panorama global, abrindo novas
oportunidades para designers, empreendedores e indústrias criativas.
Thursday, April 9, 2026
GOVERNO APROVA POLÍTICA E ESTRATÉGIA DA PROPRIEDADE INTELECTUAL 2026–2035 PARA IMPULSIONAR A INOVAÇÃO
O Conselho de Ministros aprovou, a 31 de Março, a Política e Estratégia da Propriedade Intelectual (PEPI) 2026–2035, um marco que reforça o sistema nacional de propriedade intelectual e posiciona Moçambique como protagonista na economia baseada no conhecimento.
Como um
instrumento estruturante que visa reforçar e consolidar o sistema nacional da
propriedade intelectual no país, a nova política e estratégia coloca a inovação,
criatividade e valorização do património cultural no centro das estratégias de
desenvolvimento económico e social, alinhando o país às tendências globais de
competitividade.
Principais objectivos da PEPI 2026–2035
- Promover a inovação tecnológica e científica através da protecção de invenções e investigação.
- Estimular indústrias culturais e criativas, valorizando a produção nacional.
- Agregar valor aos recursos naturais, com uso estratégico da propriedade intelectual.
- Proteger e valorizar o património cultural e conhecimento tradicional, como pilares do desenvolvimento sustentável.
Impacto esperado
Com medidas de
capacitação, sensibilização e reforço institucional, a política pretende:
- Aumentar a competitividade dos produtos e serviços nacionais.
- Incentivar empresas, investigadores e comunidades a usar os direitos de propriedade intelectual como vantagem estratégica.
- Criar um ambiente favorável à inovação e ao investimento.
Um futuro baseado no conhecimento
A aprovação da PEPI
2026–2035 reafirma o compromisso do Governo em proteger os direitos dos
criadores e inventores moçambicanos. Espera-se que esta estratégia contribua
para a diversificação da economia, valorização dos activos intangíveis e maior
competitividade internacional.
Monday, March 30, 2026
A IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA DAS MARCAS EM FUSÕES E AQUISIÇÕES.
Um dos momentos
decisivos para qualquer negócio é a fase das fusões e aquisições, comumente conhecidas
na sua versão em Inglês, Mergers and acquisitions (M&A). Entre os activos
que sustentam o valor e a continuidade de uma empresa, as marcas ocupam um
papel de destaque na medida em que, mais do que meros símbolos visuais, elas
representam acesso ao mercado, confiança do consumidor e a história de
investimentos que moldaram a empresa por vários anos.
Com efeito, durante
as fusões e aquisições as marcas garantem a continuidade de marca (preservam a
identidade perante clientes e parceiros), a valoração do negócio (reforçam o
valor intangível e a posição competitiva) e acesso ao mercado (sem registos
claros, negócios podem ser bloqueados ou atrasados).
Por isso, ao antes
de entrar numa operação do género há que cuidar para não corrir o risco de ter
lacunas no portfólio, tais como reformulação de marca inesperada e onerosa, rejeições
em mercados digitais e disputas legais em mercados estratégicos. É igualmente
importante verificar se há averbamentos pendentes em múltiplas jurisdições, restrições
de coexistência/licenciamento, propriedade fragmentada e registos em
mercados-chave.
Assim, para uma
boa e cómoda operação de fusão e aquisição é recomendável efectuar uma diligência
alinhada ao plano de negócios, validar propriedade e registos em todas as jurisdições
relevantes, alinhar os activos digitais (nomes de domínio, redes sociais, mercados
digitais), priorizar registos por urgência e fortalecer a governança com
políticas de propriedade intelectual e formações.
Para o alcance
desse desiderato, eis a lis do essencial a ser verificado:
- Portfólio completo e actualizado.
- Verificação de titularidade das marcas.
- Ponto de situação das renovações.
- Disputas e litígios.
- Cobertura de mercado.
- Acordos de coexistência.
- Activos digitais integrados.
Em M&A, as
marcas não são apenas detalhes jurídicos — são activos de alto impacto que podem
acelerar ou comprometer o sucesso da operação. Uma gestão proactiva e
estratégica garante que a marca continue sendo um motor de crescimento e
confiança no mercado.
Thursday, March 26, 2026
AVALIAÇÃO DOS ELEMENTOS DOMINANTES NA ANÁLISE DE SIMILARIDADE DE MARCAS REGISTADAS
No universo da propriedade industrial, a análise de similaridade entre
marcas registadas é um dos pontos mais críticos na concessão — ou recusa — de
direitos exclusivos. Muito além de uma simples comparação visual, este
exercício exige uma leitura estratégica e jurídica daquilo que realmente
importa: os elementos
dominantes da marca.
Mas afinal, o que são esses elementos dominantes e por que desempenham um
papel tão decisivo?
O que são
elementos dominantes?
Os elementos dominantes são aqueles que mais captam a atenção do consumidor
médio. São, por assim dizer, o “coração” da marca — aquilo que permanece na
memória e influencia a percepção global. Podem ser palavras, letras, formas,
cores ou até combinações específicas que conferem identidade distintiva. Nem
todos os componentes de uma marca têm o mesmo peso. Elementos genéricos,
descritivos ou de uso comum tendem a ter menor relevância. Já elementos
arbitrários ou fantasiosos assumem maior força distintiva e, consequentemente,
maior impacto na análise do risco de confusão.
A importância
da impressão global
Um princípio fundamental no direito de marcas é o da impressão
global. Ou seja, o consumidor não analisa as marcas lado a lado
de forma minuciosa — ele forma uma percepção geral, baseada nos elementos mais
marcantes. É precisamente aqui que os elementos dominantes entram em jogo.
Mesmo que duas marcas apresentem diferenças secundárias, a presença de
elementos dominantes semelhantes pode ser suficiente para gerar confusão ou
associação indevida.
Critérios de
avaliação da similaridade
A análise da similaridade de marcas geralmente considera três dimensões
principais:
- Visual: aparência gráfica,
estrutura, cores e disposição dos elementos;
- Fonética: sonoridade e ritmo
na pronúncia;
- Conceptual: significado ou
ideia transmitida.
Os elementos dominantes influenciam directamente todas essas dimensões. Por
exemplo, uma palavra forte e distintiva comum a duas marcas pode sobrepor-se a
diferenças gráficas, levando à conclusão de que existe risco de confusão.
O papel do
consumidor médio
Outro factor essencial é a perspectiva do consumidor médio — alguém
razoavelmente atento, mas não especialista. Este consumidor tende a recordar
apenas os aspectos mais marcantes da marca, o que reforça a importância dos
elementos dominantes na análise. Além disso, o grau de atenção pode variar
consoante o tipo de produto ou serviço. Em bens de consumo corrente, por
exemplo, a probabilidade de confusão é maior, pois as decisões são tomadas
rapidamente.
Estratégia na
criação e defesa de marcas
Compreender os elementos dominantes não é apenas relevante para análise
jurídica — é também uma poderosa ferramenta estratégica. Ao criar uma marca,
apostar em elementos distintivos e memoráveis aumenta a protecção e reduz
riscos futuros. Por outro lado, em situações de oposição ou litígio, a
identificação clara desses elementos pode ser determinante para sustentar
argumentos de semelhança ou distinção.
Conclusão
A avaliação dos elementos dominantes é, em essência, o ponto de equilíbrio
entre técnica jurídica e percepção do mercado. Ignorá-los é comprometer a
análise; compreendê-los é fortalecer a protecção da marca.
Num cenário
cada vez mais competitivo, onde a identidade é um activo valioso, investir numa
abordagem estratégica desde a criação até à defesa da marca não é apenas
recomendável — é indispensável.
O Critério da Semelhança Fonética no Exame de Marcas: Por que uma Única Letra Não Evita a Recusa pelo IPI
A 17 de abril de 2026, o Instituto da Propriedade Industrial (IPI) emitiu uma decisão que recusa definitivamente o registo da marca SOLIX ...
-
A empresa Potomac Tobacco Company, Limited interpôs recurso contra a decisão da Directora-Geral do Instituto de Propriedade Industrial (IPI)...
-
O Tribunal Administrativo Provincial de Sofala recusou o pedido da empresa FERROX, Lda. para suspender os efeitos do despacho do Instituto d...
-
O processo de registo de marcas em Moçambique exige mais do que criatividade: exige atenção aos requisitos legais e ao contexto do mercado. ...

.jpg)

